PRESS RELEASE
Proprietários rurais e gestores contra alargamento de ZPE em mais de 350% quando Governo corta 17 M€ nas medidas de apoio à Rede Natura 2000
Com este brutal alargamento da ZPE, proprietários rurais e gestores do território ficarão sujeitos a mais constrangimentos às suas atividades mas sem os apoios públicos para a promoção da conservação da natureza e da biodiversidade e para compensação pelas limitações que aí virão. Não se compreende ainda que se criem condicionamentos quando é o próprio ICNF a confessar que as aves escolheram ficar fora da atual ZPE. Seguramente porque fora da atual ZPE encontraram boas condições para prosperar!
Lisboa, 13 de Abril de 2018 – Os proprietários rurais são responsáveis por atividades agro-florestais essenciais, em muitos casos, para a conservação da natureza e gestão da biodiversidade (CN &B). É nos territórios geridos por estes que ocorrem valores naturais de extrema relevância a nível nacional e comunitário, cuja existência depende largamente de um conjunto de práticas rurais extensivas de carácter agrícola, pecuário, silvícola e cinegético.
Prova disso mesmo é a justificação apresentada pelo ICNF para a «necessidade» de alargamento da ZPE do Tejo Internacional, Erges e Ponsul em mais de 350%, dos atuais 24.406 ha para 85.973 ha.
Segundo este instituto, o alargamento da ZPE deve-se ao facto de ter sido constatado «que a maioria dos ninhos [de águia-imperial-ibérica] se encontra fora dos limites da atual ZPE» bem como «que as áreas de alimentação conhecidas nos territórios de nidificação também se localizam fora dos atuais limites» tal como o facto de «algumas das espécies rupícolas se alimentam fora da atual ZPE».
Ou seja, comprova-se que estas aves preferem ocupar territórios fora da atual ZPE na medida em que os ninhos da águia-imperial-ibérica estão maioritariamente localizados na área que se propõe classificar agora, o que é revelador que a gestão privada praticada tem sido adequada, o que tem sido confirmado pela evolução do n.º de ninhos nesta zona, sendo um dos principais núcleos de nidificação da espécie em Portugal.
Não obstante, ao invés de premiar o trabalho desenvolvido por proprietários e gestores que permitiram o estabelecimento destas aves protegidas fora da ZPE, criam-se limitações e condicionantes a esses mesmos proprietários, colocando-lhes em cima das propriedades uma figura de proteção que, neste caso, em nada contribui para que tais aves prosperem.
Refira-se a importância que a área associada da AFLOBEI possui na atual delimitação da ZPE (46 %, cerca de 11.319 ha) e na futura delimitação da ZPE (33 %, cerca de 28.452 ha).
Importa referir que a águia-imperial-ibérica esteve extinta até há bem pouco tempo em Portugal e que a sua recuperação nesta zona do País em nada se deveu à existência de uma ZPE ali bem perto. As águias escolheram os territórios que ocupam atualmente porque aí têm condições adequadas de habitat e alimento. Não será, por conseguinte, a criação de uma ZPE, à posteriori, que irá conservar esta espécie.
Importa ainda referir que o total desinvestimento na conservação da natureza por parte do Governo e do Estado, preferindo como se constata classificar novas áreas e criar novas condicionantes, ao invés de apoiarem os agentes que no território são responsáveis 365 dias por ano por garantir as condições que as espécies pelas quais tais áreas são criadas, possam prosperar, não acontece apenas neste caso.
Veja-se o exemplo de várias medidas no âmbito do corrente programa de desenvolvimento rural (PDR2020) para apoio à conservação da natureza, com destaque para o lince-ibérico, medidas essas que nunca chegaram a abrir e, a menos de 2 anos do final deste quadro comunitário, já nem sequer constam do plano previsional para abertura de concursos do PDR (caso das medidas “Manutenção de Habitats do Lince Ibérico (7.10.1)”; “Manutenção e Recuperação de Galerias Ripícolas (7.10.2) ou “Apoio Zonal Outras Áreas Estepárias (7.3.2)”)).
Por conseguinte, os atrasos na implementação de acções previstas no PDR que apoiam a viabilidade e o desenvolvimento destas actividades rurais, comprometem gravemente a preservação e a promoção dos valores naturais existentes nestes territórios.
No caso da ZPE do Tejo Internacional, Erges e Ponsul não estão previstos nenhuns mecanismos de apoio à conservação da natureza nem sequer foi feita reflexão e quantificação daquilo que seria necessário.
Qualquer alteração territorial de uma ZPE, ainda mais desta dimensão (acréscimo de 350%), deveria implicar um estudo de impacto económico e social e, se necessário e aplicável, medidas de apoio financeiro. De igual modo, deveria ser avaliado se o Estado, o ICNF neste caso, tem os meios adequados para assegurar a resposta adequada ao aumento de competências inerentes ao aumento da área, e que se traduzem em vigilância e resposta a procedimentos administrativos (pareceres, licenças, autorizações, etc.).
Não só isto não acontece como o Estado prepara-se, no âmbito da proposta de reprogramação do PDR 2020, para retirar 17 milhões de euros das Operações 7.3.1 e 7.3.2 relativas aos Pagamentos Rede Natura.
Os proprietários rurais privados, que são os responsáveis pela CN &B, neste caso pelo aumento dos ninhos da águia-imperial-ibérica, querem por isso ser envolvidos e reconhecidos enquanto tal. Solicitam por isso, de forma prévia à alteração da delimitação, que se:
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152 Participantes reunidos em Coruche para salvar o Montado de Sobro
Inserido no ciclo de workshops “+ Conhecimento/ ha” decorreu na passada terça-feira, dia 10 de Abril, no Observatório do Sobreiro e da Cortiça em Coruche, a sessão dedicada à Gestão do sobcoberto em montado, uma das opções de gestão que pode ter maior impacte sobre a sua vitalidade.
Enquadramento (Nuno Calado | UNAC)
Estrutura e funcionamento das raízes em sobreiro: o uso de água (Conceição S. Silva | UNAC)
Gestão de matos: grade de discos vs corta-matos (Constança Camilo-Alves | UEvora)
Gestão de matos na perspetiva da biodiversidade (Jorge Capelo | INIAV)
Gestão de matos e a importância apícola (Ofélia Anjos | ESACB) (1, 2, 3)
Gestão de pastagens e conservação do solo (Mário Carvalho | UEvora)
Intensificação da pecuária sustentável (José Mira Potes | ESAS)
Análise da rentabilidade económica e de sustentabilidade (António Gonçalves Ferreira | UNAC)
Lisboa, 12 de Abril de 2018 – Inserido no ciclo de workshops “Mais Conhecimento/ ha” decorreu na 3ª feira no Observatório do Sobreiro e da Cortiça em Coruche, uma muito concorrida sessão dedicada à Gestão do sobcoberto em Montado, uma das opções de gestão que pode ter maior impacte sobre a sua vitalidade, como defendido por todos os oradores.
No actual contexto de variabilidade climática, períodos de maior carência hídrica como foi o ano de 2017, necessitam de montados com boa vitalidade para resistirem a tão forte stress. Alguns dos factores mencionados que contribuem de forma positiva para a vitalidade são a salvaguarda do sistema radicular, optando por métodos de controlo da vegetação não destrutivos, como são o corta - matos, uma adequada gestão de pastagens que possibilite um aumento do teor do solo em matéria orgânica e o controlo da erosão, assim como o adequado pastoreio do gado em regime extensivo.
O presidente da UNAC – União da Floresta Mediterrânea, António Gonçalves Ferreira referiu 3 factores críticos mais relevantes para o subericultor:
Mas ter um montado mais resiliente tem impactos em termos económicos num contexto de perda de produtividade que se tem verificado nas últimas décadas. A manutenção da vitalidade tem custos associados à adaptação às alterações climáticas para os quais há uma total ausência de apoios públicos.
Afirmou ainda que "em 2017, apenas abriu um concurso do PDR2020 para apoiar a regeneração natural, deixando ao abandono centenas de milhares de hectares de montado onde urge agir." O investimento em montado de sobro é sempre um investimento cujo retorno de capital ocorre no longo prazo e são necessárias medidas de incentivo para que esse investimento, numa lógica de economia circular, volte ao montado e não se disperse noutros usos alternativos de diferente rentabilidade.
Referiu também que "após 6 meses ainda não existe nenhuma aprovação, e que o Governo se prepara para retirar 26 milhões de euros dos apoios aos Sistemas Agro-Silvo-Pastoris sob Montado e 17 Milhões Euros dos apoios às arborizações, o que é incompreensível face à importância do Montado e à reafirmada aposta do Estado no apoio às florestas autóctones. "
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Cerca de 120 participantes participaram no Seminário " FLORESTA 4.0- DIGITALIZAÇÃO NA CRIAÇÃO DE VALOR E DE VANTAGENS COMPETITIVAS PARA A GESTÃO E PRODUÇÃO FLORESTAL".
Foram analisadas diferentes tecnologias digitais que podem contribuir para a criação de valor para a produção florestal. A necessidade de introduzir a digitalização nas agendas de ID+i florestal em Portugal, de divulgar algumas aplicações e tecnologias já existentes, de integração de tecnologias e de disponibilização de dados e informação foram algumas das conclusões mais relevantes, a par do enorme potencial de desenvolvimento para a gestão e produção florestal.
Floresta 4.0 - Nuno Calado | UNAC
Produção e Gestão Florestal - Alexandra Marques | INESC TEC
Sensores IoT para prevenção de incêndios florestais (Eduardo Henriques | Smart Forest)
Plataforma de acesso a serviços ligados a variáveis meteorológicas, fogos e fogo controlado (Sílvia Nunes | Instituto Dom Luíz - Faculdade de Ciências de Lisboa) (1, 2, 3)
Plataformas web para gestão de sistemas de certificação florestal (André Barriguinha | Agriciência)
Os Drones no Apoio à Gestão Florestal (Alexandre Sarmento | TerraDrone) (1, 2)
EXPRESSO | 30/03/2018
O Governo através da sua eficiente máquina de propaganda tem anunciado de forma incisiva e musculada a obrigatoriedade da limpeza dos terrenos confinantes com as habitações e perímetros urbanos por parte dos proprietários florestais.
O Primeiro-ministro anunciou mesmo no recente congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses uma verba relevante para limpar as florestas na área circundante das povoações.
O objectivo é relevante: baixar substancialmente o risco de incêndio nessas zonas prioritárias em termos de defesa em caso de incêndio.
É preciso clarificar que os 50 milhões de euros amplamente anunciados pelo Governo não são uma subvenção, são sim um empréstimo aos municípios para que estes se substituam aos proprietários das casas e dos terrenos e depois lhes cobrem coercivamente esse valor.
Os terrenos junto às povoações não têm um modelo de gestão adequado, que assegure um baixo risco de incêndio, porque esse mesmo modelo não tem viabilidade económica. Os proprietários florestais com propriedades confinantes com os limites urbanos de povoações e os proprietários de terrenos com habitações localizados nas periferias urbanas que a floresta invadiu não comportam o custo de anualmente manter baixo o risco de incêndio.
Artigo na íntegra AQUI.
6ª edição da revista da Rede Rural Nacional | 2018 - Nuno Calado, Secretário-geral da UNAC
O ano de 2017 ficará para sempre na memória de todos os portugueses como um ano catastrófico para a floresta e para a sociedade portuguesa, com vítimas mortais, destruição de habitações, infraestruturas, empresas e 442.418 hectares de área ardida de espaços florestais.
No entanto, 2017 resulta do agravamento da falta de gestão e de ordenamento florestal, que resultam da dificuldade em rentabilizar o investimento florestal em pequena propriedade, em operacionalizar abordagens de intervenção florestal integradas (processo ainda muito recente), da desertificação, da falta de fiscalização, etc. Não nos podemos esquecer que as perdas resultantes são de cerca de 203 milhões de euros/ano.
Artigo completo AQUI.
A UNAC - União da Floresta Mediterrânica vai realizar, no próximo dia 10 de Abril em Coruche, no Observatório do Sobreiro e da Cortiça o Workshop " Gestão de sobcoberto em Montado: opções, impactos e rentabilidade ".
A gestão do sobcoberto em Montado é essencial mas enfrenta diversos desafios: para além dos objetivos intrínsecos globais da exploração agroflorestal, é necessário ter em consideração a proteção do solo, a gestão da concorrência pelo recurso água, a gestão do risco de incêndio, etc., e o impacto económico das diferentes opções técnicas em diferentes perspetivas temporais.
Este workshop está enquadrado num ciclo de transferência de conhecimento designado "+ Conhecimento/ha", que visa a partilha de inovação e a incorporação de práticas de gestão mais adequadas.
Constança Camilo-Alves (UEvora), Jorge Capelo (INIAV), Ofélia Anjos (ESACB), Conceição S. Silva (UNAC), Mário Carvalho (UEvora), José Mira Potes (ESAS) e António Gonçalves Ferreira (UNAC) são os oradores confirmados para este workshop.
Veja em anexo o programa detalhado.
As inscrições encontram-se de momento encerradas. Para integrar a lista de espera contactar Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. .
26/03/2018 | Diário de Notícias
Florestas. Operadores florestais criticam as medidas em curso para o reordenamento do território, mas avançam soluções. Um exemplo é colocar os grandes produtores a apoiar a biodiversidade.
"O Reordenamento do Território e da Floresta" foi o tema do primeiro debate da série Agricultura mais Forte, que o Santander Totta retoma em torno do sector agrícola. Moderada pelo jornalista António Perez Metelo, a Conversa Solta decorreu na passada quinta-feira na sede do Santander Totta, em Lisboa. Entre outros, contou com a presença de António Gonçalves Ferreira, Presidente da UNAC. MAIS
O vencedor do concurso europeu da árvore do ano de 2018 foi revelado hoje, em Bruxelas, na presença de 200 participantes. O Sobreiro Assobiador de Águas de Moura, Portugal, ganhou com 26.606 votos, seguido pelos Ulmeiros ancestrais de Cabeza Buey (22.332 votos) e pelo "Ancião das Florestas de Belgorod" (21.884 votos).
O Assobiador deve o nome ao som originado pelas inúmeras aves que pousam nos seus ramos. Plantado em 1783, este sobreiro já foi descortiçado mais de vinte vezes. Com 234 anos, o Assobiador está classificado como “Árvore de Interesse Público” desde 1988.
Em nome do Sobreiro Assobiador, Nuno Calado, secretário-geral da UNAC - União da Floresta Mediterrânica, recebeu o original troféu de madeira que passa de vencedor a vencedor a cada ano: "Estamos extremamente felizes em trazer reconhecimento a Portugal, através do concurso “European Tree of the Year”. Este sobreiro representa uma enorme contribuição para a biodiversidade e os serviços dos ecossistemas, a luta contra as alterações climáticas, além da contribuição para a economia portuguesa", afirmou. Referiu ainda que "o futuro dos sobreiros e dos Montados depende dos produtores agroflorestais, da escolha do consumidor por vinhos com rolhas de cortiça e de políticas públicas que possam promover elevados níveis de biodiversidade e atividades económicas sustentáveis".
Está a decorrer a 8.ª edição do concurso “Tree of the Year" que conta pela primeira vez com uma árvore portuguesa, o Sobreiro Assobiador, o maior sobreiro de Portugal.
13 países participam este ano na 8ª edição do concurso europeu Tree of the Year. Durante o mês de fevereiro, todos puderam escolher a sua árvore preferida através de um sistema de votação on-line em https://www.treeoftheyear.org.
No próximo dia 21 de março, o vencedor será anunciado na cerimónia de entregas de prémios, no Parlamento Europeu, em Bruxelas.
O Tree of the Year realça a ligação emocional que as pessoas e as próprias comunidades mantêm com as árvores, bem como a sua importância para o património natural e cultural da Europa.
SEMINÁRIO "A Floresta de Produção, um Caminho de Futuro" | 7 de Setembro | AGROGLOBAL
A CELPA - Associação da Indústria Papeleira e a UNAC - União da Floresta Mediterrânica encontram-se a organizar o seminário "A Floresta de Produção, um Caminho de Futuro" que se realiza no próximo dia 7 de setembro, das 14H30 - 18H30, na AGROGLOBAL, em Valada do Ribatejo (www.agroglobal.com.pt).
Programa completo aqui.
Inscriçoes para o e-mail Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. com indicação de nome, entidade e contacto telefónico.
Reunimos um conjunto de especialistas e investigadores de renome - Eng.º Eduardo Diniz (GPP), o Professor Doutor Francisco Avillez (ISA), o Professor António Oliveira das Neves (IESE),o Eng.º Miguel Freitas (AMAL), o Eng.º António Gonçalves Ferreira (UNAC), o Eng.º Rogério Rodrigues (ICNF), a Doutora Teresa Soares David (INIAV), o Eng.º José Luís Carvalho (The Navigator Company), o Eng.º Nuno Borralho (CELPA) e o Eng.º Nuno Coimbra (Quinta da Cholda SA) - para debater os seguintes temas:
- Novas técnicas florestais: utopia ou realidade?
- FLORESTA 2.0: A Floresta de Produção no quadro da Política Florestal.
O Colégio de Engenharia Florestal da Ordem dos Engenheiros, em colaboração com a Universidade de Lisboa, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a FORESTIS – Associação Florestal de Portugal e a UNAC – União da Floresta Mediterrânica, pretende que o futuro da floresta portuguesa seja construído sobre soluções racionais, com uma consistente base técnica, que reforcem o seu potencial produtivo, garantam o seu valor ambiental e assegurem a sua dimensão social.
Sumário executivo das conclusões aqui