Preços da pinha sobem este ano para valores inéditos, mas pouco sustentáveis
Os preços da pinha atingiram este ano valores “bastante interessantes”, mas simultaneamente “altíssimos e pouco sustentáveis”, segundo Pedro Amorim, responsável da empresa Pineflavour, que confirma que o mercado está a ser influenciado pela escassez da produção.
Em declarações à UNAC, Pedro Amorim diz que os intermediários estão atualmente a pagar cerca de 1,20€ por quilo, enquanto a indústria chega a pagar entre 1,20€ e 1,65€, dependendo da qualidade da pinha.
A baixa oferta tem contribuído para esta escalada de preços, que se deverá refletir inevitavelmente no valor final do pinhão ao consumidor. “O produto já tem, por si só, um valor de mercado elevado, mas perante uma produção tão ténue é natural que estes preços aumentem ao longo de toda a cadeia”, sublinha.
Alargamento da campanha não deverá avançar
Questionado sobre a possibilidade de um alargamento da campanha de apanha da pinha, Pedro Amorim considera essa hipótese improvável. Este ano, o setor beneficiou de uma exceção que permitiu iniciar os trabalhos a 1 de novembro, um mês mais cedo do que o habitual. Ainda assim, segundo afirma, a produção é tão reduzida que não deverá ser necessário utilizar todo o período disponível para colher o que é economicamente viável.
Apesar da chuva ter prejudicado vários dias de apanha, “a produção é tão baixa, mas tão baixa”, que não se antecipa um número significativo de pedidos de prolongamento da campanha.
Uma mensagem de resistência para os produtores
Apesar do cenário de grande adversidade provocado pelos recentes temporais, Pedro Amorim deixa uma mensagem de esperança para os produtores, recordando que, apesar das dificuldades, há quem continue a adaptar-se e a manter-se ligado ao setor. Recorda ainda que prosseguem vários trabalhos de investigação, focados nos temas mais relevantes da fileira, o que permite esperar que possam surgir em breve novas soluções para os problemas já identificados.
Apesar dos rendimentos dos últimos anos terem sido meramente “simbólicos” para todos os protagonistas – produtores, apanhadores e indústria – mantém-se a expectativa de que virão anos melhores. A continuidade e resiliência de quem permanece na fileira serão, segundo o responsável, fundamentais para garantir o regresso a rendimentos considerados normais e justos para todos.