Estudo europeu coloca Portugal entre os países mais expostos aos impactos das alterações climáticas

Agricultura e incêndios florestais surgem como áreas de risco elevado. União Europeia terá de investir cerca de 70 mil milhões de euros por ano em adaptação climática até 2050.

Portugal integra o grupo de Estados-membros da União Europeia mais vulneráveis aos riscos associados às alterações climáticas, com impactos particularmente severos previstos para a agricultura e para os incêndios florestais. A conclusão consta de um estudo encomendado pela Direção-Geral da Ação Climática da Comissão Europeia e financiado pelo programa Horizonte Europa.

De acordo com a análise, o risco para a população e para os edifícios devido aos incêndios florestais em Portugal é classificado como crítico, um nível apenas abaixo da categoria mais grave. O Sul da Europa é identificado como uma das regiões mais afetadas pela intensificação e severidade dos fogos, fenómeno que tem vindo a agravar-se com o aumento das temperaturas e a prolongação dos períodos de seca.

No setor agrícola, o cenário é ainda mais preocupante. Portugal surge entre os países onde o risco para a produção alimentar é considerado catastrófico, refletindo a crescente exposição das culturas agrícolas à escassez de água, às ondas de calor e à variabilidade climática extrema. O estudo alerta também para níveis elevados de stress térmico com impacto direto na saúde humana, sobretudo nos países do sul e centro da Europa.

A análise evidencia ainda que Portugal enfrenta necessidades de investimento em adaptação climática superiores à média europeia, quando avaliadas em termos relativos. Embora os maiores volumes absolutos de investimento se concentrem nas grandes economias da União, como França, Alemanha, Itália e Espanha, países como Portugal registam encargos proporcionais mais elevados face ao seu produto interno bruto.

No conjunto, o estudo estima que a União Europeia terá de mobilizar cerca de 70 mil milhões de euros por ano até 2050 para reduzir a exposição aos riscos climáticos e reforçar a resiliência do território europeu. Este montante destina-se sobretudo a infraestruturas, proteção de ecossistemas e segurança alimentar, setores considerados críticos para a adaptação às alterações climáticas.

A investigação destaca que os riscos climáticos afetam de forma transversal as infraestruturas, os edifícios e os sistemas de saúde, aumentando a pressão sobre os serviços públicos e exigindo investimentos adicionais em manutenção, prevenção e resposta a fenómenos extremos como cheias, tempestades e ondas de calor.

Apresentado como o primeiro exercício a aplicar uma metodologia comum para estimar necessidades de investimento em adaptação climática em todos os Estados-membros, o estudo identifica lacunas significativas no financiamento atual e uma fraca integração dos riscos climáticos no planeamento orçamental nacional. Entre as recomendações, sublinha-se a necessidade de avaliar cenários climáticos alternativos e de reforçar a análise custo-benefício das medidas de adaptação.

A publicação surge num momento em que a Comissão Europeia prepara um novo quadro estratégico para a resiliência climática e a gestão de riscos, com o objetivo de apoiar os Estados-membros na preparação para impactos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.

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