Rega controlada pode aumentar produção de pinhão no Mediterrâneo
Um estudo científico recente conclui que a rega controlada pode aumentar significativamente a produção de pinhão na região do Mediterrâneo. No entanto, os investigadores alertam que o uso excessivo de água pode comprometer a sustentabilidade, especialmente em zonas já afetadas pela escassez hídrica.
A investigação, publicada na revista Sustainability, analisou o impacto da água em pinhais enxertados de pinheiro-manso, uma espécie típica da região mediterrânica e responsável pela produção de pinhões – um alimento muito valorizado, mas cuja oferta é irregular.
Produção ainda depende de florestas naturais
Atualmente, a maior parte do pinhão disponível no mercado provém de florestas naturais, o que resulta numa produção instável ao longo dos anos. Apesar do seu valor económico e nutricional, este tipo de produção representa apenas uma pequena parte do total mundial de frutos secos.
Perante esta limitação, os cientistas defendem a aposta em pomares intensivos de pinheiro-manso, à semelhança de outras culturas agrícolas, como forma de aumentar a produtividade e garantir maior regularidade.
Testes compararam diferentes níveis de rega
O estudo foi realizado num pomar experimental em Espanha, onde foram testados três regimes de rega ao longo de oito anos:
– Rega prolongada, da primavera até ao final do verão
– Rega curta, limitada à primavera
– Ausência de rega, dependente apenas da chuva
Os resultados mostram que a rega – tanto prolongada como curta – aumentou o crescimento das árvores e a produção de pinhas face à ausência de água adicional.
Mais água nem sempre compensa
Apesar dos benefícios, a diferença de produção entre a rega curta e a prolongada foi relativamente pequena. Já o consumo de água foi muito diferente: o regime mais longo utilizou mais do dobro da água.
Isto levanta dúvidas sobre a sua viabilidade, sobretudo num contexto de alterações climáticas e escassez de recursos hídricos no Mediterrâneo.
Produção continua irregular
Mesmo com rega, o pinheiro-manso mantém um comportamento produtivo irregular, com variações ao longo dos anos. Ainda assim, a disponibilidade de água contribuiu para aumentar o número de estruturas reprodutivas, ajudando a estabilizar parcialmente a produção.
Primavera é fase decisiva
Os investigadores destacam que a primavera é o período mais importante para a rega. Fornecer água nesta fase ajuda a iniciar um ciclo produtivo mais eficiente. Em contrapartida, prolongar a rega até ao final do verão mostrou-se pouco vantajoso, tanto em termos económicos como ambientais.
Potencial em solos pobres
O estudo aponta ainda que o pinheiro-manso pode ser uma alternativa agrícola viável em solos pobres e regiões semi-áridas. A produção média observada – cerca de 1500 quilos de pinhas por hectare por ano – indica potencial económico relevante.
No entanto, os especialistas sublinham a necessidade de selecionar variedades mais produtivas e aprofundar o conhecimento sobre a espécie.
Desafio: produzir mais com menos água
Num cenário de crescente escassez de água, a principal conclusão é clara: a gestão eficiente da rega será essencial para o futuro desta cultura. Usar menos água, mas no momento certo, pode ser a chave para garantir a sustentabilidade da produção de pinhão sem comprometer os recursos naturais.
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