Resíduos de cortiça ganham nova vida como fonte de energia

A cortiça está a ganhar um novo papel na produção de energia, com a DIAM Portugal a investir numa solução que transforma resíduos do setor em combustível. A empresa, reconhecida como um dos maiores fabricantes mundiais de rolhas técnicas, encontra-se a instalar uma caldeira de biomassa de alta eficiência, capaz de assegurar a produção contínua de vapor a partir de subprodutos como pó de cortiça, terras e estilha de madeira.

A iniciativa foi concebida pela Energest – Engenharia e Sistemas de Energia, que desenvolveu um sistema pensado para garantir funcionamento estável e reduzir significativamente as paragens para manutenção. De acordo com a empresa, a nova caldeira terá capacidade para gerar cinco toneladas de vapor por hora, operando a 15 bar de pressão, e foi projetada para ultrapassar as 8.400 horas de operação anual.

Entre as tecnologias incorporadas está também um economizador, que permite aproveitar o calor dos gases de combustão para aquecer a água de alimentação, aumentando o rendimento global e diminuindo o consumo de biomassa.

Apesar do crescimento do setor corticeiro em Portugal, persistem desafios relacionados com a sustentabilidade energética. Um dos principais entraves identificados é o tempo elevado de inatividade das caldeiras, frequentemente associado a necessidades constantes de manutenção. A solução agora em implementação pretende ultrapassar esse problema, oferecendo maior robustez, flexibilidade e capacidade de adaptação a diferentes tipos de combustível.

Com conclusão prevista para o segundo trimestre de 2026, o projeto já começa a despertar interesse noutras empresas da indústria. A expectativa é que esta tecnologia estabeleça um novo padrão, permitindo reduzir custos operacionais e melhorar a eficiência energética.