Para evitar a repetição deste cenário, a empresa EOS Data Analytics (EOSDA), em parceria com a portuguesa EOSSAT, assinou um contrato com a European Space Agency (ESA) para desenvolver uma solução inovadora de monitorização florestal baseada em satélite.
O projeto arranca em março de 2026 e será financiado pelo programa InCubed, que apoia o desenvolvimento de soluções baseadas em dados de observação da Terra.
A iniciativa irá abranger 19 municípios da região de Coimbra, numa área total de 4.336 km². O objetivo passa por identificar zonas de risco, apoiar medidas de prevenção, avaliar danos e planear a recuperação das áreas afetadas.
Segundo a ESA, este tipo de tecnologia permite transformar dados espaciais em ferramentas práticas para responder a problemas concretos no terreno, como os incêndios florestais.
Mais de 45% do território da região de Coimbra é coberto por floresta, o que torna difícil a vigilância através de métodos tradicionais, como inspeções no terreno ou sensores locais.
A nova solução combina dados do satélite EOS SAT-1, com alta resolução, com processamento automático e validação por especialistas. Os municípios passarão a receber relatórios trimestrais com informação detalhada sobre:
– Alterações na cobertura florestal
– Áreas ardidas
– Evolução da recuperação pós-incêndio
Os dados serão integrados na plataforma SADGE, utilizada pela Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra.
De acordo com os responsáveis, o sistema poderá atingir até 90% de precisão na identificação de áreas de risco, contribuindo para uma redução de até 30% no número de incêndios.
Além disso, a melhoria na monitorização permitirá uma resposta mais rápida e eficaz por parte das autoridades, podendo preservar até 25 mil hectares de floresta por ano apenas nesta região piloto.
A EOSDA destaca que este projeto resulta de mais de uma década de desenvolvimento de tecnologias de monitorização florestal com base em dados espaciais. A empresa acredita que a solução poderá ser expandida para outras regiões e países com problemas semelhantes.
Num contexto de alterações climáticas e aumento da frequência de incêndios, a aposta em tecnologia espacial surge como uma ferramenta crucial para proteger as florestas e as comunidades.