Extração de resina não compromete crescimento nem reprodução do pinheiro-bravo

Um estudo recente analisou os efeitos da extração de resina em pinheiros-bravos (Pinus pinaster) com cerca de 40 anos, no Noroeste de Espanha, e concluiu que esta prática florestal não tem impactos significativos no crescimento nem na reprodução das árvores, apesar de provocar alterações fisiológicas e defensivas a nível local.

Embora o estudo tenha sido realizado em pinheiro-bravo, pode trazer informação valiosa para a resinagem em pinheiro-manso, uma prática que tem despertado cada vez mais interesse nos proprietários destes pinhais.

A extração de resina — uma atividade com crescente importância económica e ambiental na Península Ibérica — implica a realização de feridas periódicas nas árvores, o que levanta preocupações sobre possíveis efeitos negativos em funções vitais como o crescimento, a resistência a pragas e doenças e a produção de sementes. Estas dúvidas são particularmente relevantes em regiões atlânticas, onde os pinhais são tradicionalmente geridos para produção de madeira.

Para avaliar estes impactos, os investigadores estudaram dois povoamentos de pinheiro-bravo na Galiza, comparando árvores resinadas com árvores não exploradas. Foram analisados diversos indicadores, incluindo o crescimento radial (através dos anéis de crescimento), defesas físicas e químicas, estado fisiológico das árvores e investimento reprodutivo, como o tamanho e a produção de pinhas e sementes.

Os resultados mostram que a extração de resina desencadeia uma resposta defensiva forte e consistente nas zonas próximas da ferida, com aumento do fluxo de resina e maior concentração de compostos defensivos, como fenóis, taninos e flavonoides. Verificaram-se também alterações qualitativas no perfil dos terpenoides da resina produzida, substâncias importantes na defesa contra pragas e agentes patogénicos.

Apesar destas respostas locais intensas, o estudo não encontrou efeitos significativos da extração de resina no crescimento radial das árvores nem na sua capacidade reprodutiva. No entanto, foram observadas ligeiras reduções na concentração de alguns nutrientes nas agulhas e de certos compostos defensivos químicos na copa, o que sugere que estas respostas defensivas não são totalmente isentas de custos fisiológicos.

Segundo os autores, estes custos parecem ser reduzidos e sem consequências práticas relevantes para a saúde global das árvores, pelo menos no curto e médio prazo. Ainda assim, os investigadores alertam que a acumulação de campanhas sucessivas de resinagem pode vir a ter efeitos mais visíveis ao longo do tempo, justificando um acompanhamento continuado.

No conjunto, o estudo indica que a extração de resina pode ser compatível com a produção de madeira em pinhais atlânticos bem geridos, reforçando o potencial desta atividade como complemento económico sustentável e como ferramenta de apoio ao desenvolvimento rural, sem comprometer significativamente a vitalidade das florestas.

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